quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Allez Guga!

Guga em Paris: quem disse que sua casa é em Floripa? Foto: EFE




A primeira lembrança que tenho de Guga é anterior à Roland Garros.

Foi no confronto Brasil x Áustria, pela Copa Davis de 1996. Guga jogou bem, mas a grande notícia foi o "piti" dado por Thomas Muster, o melhor jogador do mundo no saibro na época. A torcida, como é costume na Davis, provocou muito os austríacos e Muster abandonou a partida de duplas. O Brasil venceu e se classificou para o Grupo Mundial, a elite da competição.

Na época o Brasil estava em uma entressafra em matéria de ídolos. Senna havia morrido em 1994, Ronaldo ainda não tinha estourado e Romário não fazia muita questão desse "título".

E, sem mais nem menos, em 1997, surge Guga. Derrotou Thomas Muster, Kafelnikov e Brugera. Na final contra Brugera, um 3 x 0 irreparável. O jogo das quartas contra Kafelnikov foi um dos maiores que eu já vi. Kafelnikov no auge. Título de Roland Garros nas mãos do jovem brasileiro desconhecido de muitos.

O feito se repetiria em 2000/01. Um brasileiro campeão de um Grand Slam. Tricampeão. Nem o mais otimista poderia imaginar.

O cabelo espalhafatoso e desgrenhado virou moda. O tênis teve um "boom" no Brasil. Escolinhas foram abertas, professores contratados, ídolos do passado "resgatados".

Vieram outros jogos. Novas conquistas. Novas lembranças.

A final do Roland Garros em 2000, Guga salvando o Match Point do Norman. Depois não conseguindo fechar o jogo. O erro do árbitro em uma bola que daria o título ao brasileiro. O título.

A Masters Cup de Lisboa, no fim de 2000. Guga perdeu o primeiro jogo. Mas se recuperou e foi à semifinal. Pegou Sampras pela frente. Em quadra dura! E ganhou. Depois pegou Agassi e devolveu a derrota da primeira rodada. Melhor do ranking de entradas e na Corrida dos Campeões.

Veio as férias no Havaí, surfando, com cobertura exclusiva de André Kfouri e da ESPN Brasil.

No ano seguinte o Tri, derrotando a "Armada Espanhola", como era chamada a geração de tenistas espanhóis comandada por Carlos Moyá. Na semi bateu Ferrero e na final venceu Corretja.

Talvez o último momento dele tenha sido também em Roland Garros. Oitavas-de-final em 2004. Guga ia enfrentar Roger Federer, já primeiro do mundo, já campeão de Wimbledon, da Copa dos Campões e do Australian Open. Guga voltava da primeira cirurgia. Fazia um torneio regular. - Federer vence de barbada -, disse a maioria.

A "melhor esquerda" do circuito não se intimidou. Forçando o jogo na esquerda - à época - deficiente de Federer, Guga foi minando a confiança do suíço, que passava a errar cada vez mais. Inacreditáveis 3 x 0 para Guga. Federer já deu algumas entrevistas dizendo que uma de suas metas é poder devolver aquela derrota. E, diga-se de passagem, depois daquela derrota, Federer treinou e melhorou muito a sua esquerda, que foi massacrada por Guga naquele jogo. Hoje ele se tornou o mondtro que todos sabemos. Um pouco, por causa de Guga e daquela acachapante vitória sobre Federer.

2 comentários:

Rafael Fontes disse...

Guga reascendeu o esporte no Brasil e teve todos seus mériots, mas já estava na hora de parar!!!

O Com a Bola Cheia estréia hoje a seção Olho no Lance com textos opinativos de minha autoria. Da uma passadinha para conferir!!!

Abraços....

http://comabolacheia.zip.net

Ruben Fontes Neto disse...

´Guga foi um grnade nome para o esporte brasileiro. Fez com que um esporte tido como "sem graça" tomasse ocntas dos noticiários no país. Pena que a confederação não aproveitou todo esse boom para continuar fabricando jogadores de alto nível... Agora só Deus sabe quando aparecerá outro tenista brasileiro que se destaque bem...