quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Depois de três tropeços, Palmeiras volta a vencer

Quem olha só para o resultado de Palmeiras e Goiás - 4 x 0 para o líder -, pensa que foi um jogo fácil. Se engana.

O primeiro tempo, pasmem, terminou 0 x 0 com uma chance de gol para cada lado. Está provado que o sistema defensivo do Palmeiras sente falta de um homem de mais pegada. E que ele não é o Edmílson. Após a entrada de Sandro Silva, ainda no primeiro tempo, o Goiás passou a ter menos facilidade para jogar por ali. Léo Lima, que até então fazia uma boa partida, desapareceu.

No segundo tempo brilhou Obina. Com 3 gols e um lindo passe de calcanhar para o outro de Deivid Sacconi, o bom baiano reconduziu o Palmeiras à liderança, 2 pontos a mais que o São Paulo. E domingo tem clássico contra o Corinthians. No primeiro turno, 3 de Obina mataram o rival.

O campeonato, que estava espremido, ganhou uma folga, já que o Atlético Mineiro perdeu do Fluminense por 2 x 1 e o Inter também perdeu na rodada.

O perseguidor direto do Palmeiras voltou a ser só o São Paulo, que enfrenta o Barueri, sábado, no Morumbi. O Atlético, terceiro colocado, vai até Goiânia enfrentar o Goiás.

Faltando seis rodadas, a chance de chegarmos na última rodada do campeonato brasileiro com três postulantes ao título ainda é grande. Quem disse que pontos corridos não tem final?

Será que dá?

Mesmo que por poucas horas, o campeontao brasileiro tem um novo e, inédito, líder este ano: o São Paulo.

Desde a última rodada do torneio do ano passado, o time não alcançava a liderança. Por causa de vários fatores. O principal: o time não está jogando bem.

Logo após a chegada de Ricardo Gomes, o time teve um bom rendimento, fez boas partidas, principalmente contra Grêmio e Goiás no Morumbi. Depois o time caiu.

Mas quem tinha que aproveitar essa queda de rendimento - Palmeiras, Internacional, Atlético -, não aproveitou. E agora, depois de duas vitórias - sobre o Santos, de virada na Vila e sobre o Inter -, o time parece ter encontrado o caminho para o Tetra.

O time continua devendo futebol. Mas mostrou muita vontade nessas duas partidas. E conta com um elenco experiente e acostumado a vencer o torneio, além do discurso motivacional do Rogério, dizendo que nenhum outro time conquistou o campeonato quatro vezes consecutivas e das "generosas" premiações de Juvenal Juvêncio na reta final.

O São Paulo pode não ser campeão, mas vai incomodar.

sábado, 29 de agosto de 2009

O jogo mais esperado do Campeonato

São Paulo e Palmeiras nunca se deram bem. Isso é fato desde a briga em 1942, na qual os palestrinos acusam o tricolores de tentarem tomar o Parque Antártica deles. Para os palmeirenses mais velhos, o Corinthians é rival, e o São Paulo é inimigo. Para aumentar ainda mais a tensão, o Palmeiras não vence o São Paulo no Morumbi desde 2002 - 4 x 2, com o golaço do Alex - os dois estão brigando pleo título do Brasileirão e tem o fator Muricy Ramalho que, após passar 3 anos e meio no São Paulo, trocou de lado e agora comanda o alviverde.

Um empate no Morumbi não é ruim para o Palmeiras, de forma alguma. Com a provável ausência de Cleiton Xavier, Muricy acena com a possibilidade de escalar 3 volantes - Pierre, Edmílson e Souza. Se fizer isso, é para travar o São Paulo no meio, liberando Wendell e Armero para "baterem de frente" com Júnior César e Jean.

No São Paulo, a grande vantagem é a alta rotatividade dos jogadores do meio, principalmente Hernanes, Richarlyson e Jorge Wagner. Essa constante troca, aliada à movimentação de Dagoberto, pode "quebrar" a marcação do Palmeiras.

Até hoje as duas equipes disputaram 292 jogos, com 101 vitórias tricolores, 95 empates e 96 vitórias palestrinas.

No Morumbi, palco do jogo de amanhã, o Palmeiras venceu 25 jogos, de um total de 108 partidas disputadas.

O primeiro jogo de Muricy, contra o Palmeiras, na sua primeira passagem como técnico do São Paulo - após a queda de carlos Alberto Parreira -, foi no dia 29 de março de 1997, pelo Campeonato Paulista. Quem apitou o jogo foi o juiz francês Claude Colombo e o São Paulo perdeu, 1 x 0, gol de Viola.


quinta-feira, 25 de junho de 2009

Semifinal manchada?

Foi um grande jogo, cheio de alternativas, digno de semifinal de Libertadores.

Cruzeiro 3 a 1 no Grêmio. Uma vitória de quem soube aproveitar suas chances e que manteve a cabeça sempre no lugar.

Mas um único incidente está deixando o jogo em segundo plano: o possível xingamento de Maxi "La Barbie" López ao volante cruzeirense Elicarlos. O argentino teria chamado o brasileiro de "macaquito".

O que eu posso dizer é que, na hora do quiprocó no primeiro tempo, deu para ver claramente o Wagner, meia do Cruzeiro, batendo no próprio braço, como se estivesse dizendo para o argentino: Voce o xingou mesmo.

Essa é uma das acusações mais difíceis de provar. Geralmente esses xingamentos ocorrem na "intimidade" dos dois jogadores.

O Jogo

Antes dos 10 minutos, duas grandes chances para cada lado. Uma com Alex Mineiro para o Grêmio e outra com Jonathan, para o Cruzeiro.

O time mineiro, que não contava com 4 jogadores - Fernandinho, Gérson Magrão, Ramires e Thiago Ribeiro -, foi à campo com Marquinhos Paraná na lateral-esquerda para explorar o fato de o Grêmio ter o zagueiro Thiego como lateral-direito e Fabinho no meio, fazendo também a função de terceiro zagueiro quando precisava.

Mas o time gaúcho fechado e marcando a saída de bola do Cruzeiro, conseguiu duas ótimas oportunidades. Outra com Alex Mineiro, desta vez de cabeça, livre na área e a outra com Maxi, que "rachou" com Thiago Heleno, recuperou a bola, driblou Leonardo Silva, invadiou a área e chutou, fora do alacance de Fábio. Mas a bola triscou a trave e saiu.

O Cruzeiro, aos poucos, foi se recuperando. E, aos 37, marcou seu gol. Kléber cruzou e Wellington Paulista marcou de cabeça, no contrapé de Marcelo Grohe.

O que se viu depois foi um Cruzeiro com muita confiança e um Grêmio preocupado. Ainda mais depois que o time mineiro aumentou sua vantagem. Logo com dois minutos do segundo tempo, Wagner chutou, a bola desviou na zaga e Marcelo Grohe não teve como defender: 2 x 0, o placar dos sonhos mineiros.

E o sonho, quem diria, ficou ainda melhor. Fabinho marcou o terceiro, de cabeça.

Para o Grêmio restava a tentativa de marcar um gol e diminuir o prejuízo, ou sair do Mineirão eliminado.

Souza deu esperanças e, ao final do jogo, disse a frase que todos os gremistas queria ouvir:"Não tá morto quem pelea."

Agora, com essa discussão sobre o racismo, a partida de volta ganha contornos dramáticos e imbecis. Dramáticos pelo placar em si, pelas necessidades das equipes. Imbecis, porque alguns idiotas da objetividade vão invocar o suposto racismo em nome da pátria, dizer que tais palavras tinham que vir de um argentino - como se nós, brasileiros, não fossemos racistas o suficiente.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

"O São Paulo não está com salários atrasados"

Depois da saída de Muricy Ramalho do comando do São Paulo, um dos muitos boatos que surgiram foi o de que o clube está com salários atrasados por dois meses. Para tirar essa dúvida, o blog entrou em contato com João Paulo de Jesus Lopes, diretor de futebol do São Paulo, um dos poucos dirigentes, e não cartolas, do nosso futebol.

Em conversa telefônica, ele reagiu veementemente: "Não é verdade! A primeira coisa que fiz quando soube desta notícia [que os salários estariam atrasados] foi falar com o Osvaldo Vieira de Abreu, nosso diretor financeiro. E ele garantiu que os salários estão em dia e que os direitos de imagem daqueles que entregaram as correspondentes notas fiscais também."

Ainda de acordo com o dirigente, no São Paulo há regras para o pagamento de direito de imagem, como em qualquer outra empresa.

A conversa então rumou para outro lado, mais precisamente sobre a troca de comando no time. No seu entender, havia um processo de exaustão com Muricy Ramalho e, por isso, se fez necessária a mudança.

A escolha de Ricardo Gomes, segundo ele, se deve ao fato de o São Paulo sempre buscar algo novo. O treinador, que morou 14 dos últimos 21 anos na Europa, pode trazer uma nova visão ao mercado, um choque de cultura e de estilo. "Ele tem o perfil do São Paulo. É sério, íntegro, tem caráter, só se preocupa com os fatores do campo. Foi técnico da Seleção Brasileira [pré-olímpica]. Temos absoluta confiança no seu trabalho. Espero que ele recupere o padrão de jogo que o São Paulo tem por história, que é o da qualidade e da excelência.

Ainda segundo Jesus Lopes, nem o ex-jogador e ídolo Raí, nem o empresário e torcedor do São Paulo Abílio Diniz, foram consultados ou avalizaram a contratação do novo treinador. "As decisões do departamento de futebol são tomadas pelo presidente Juvenal Juvêncio, por mim e pelo Leco."


Sobre um possível racha no elenco, ele foi enfático. "Até o momento não detectamos nada. Nem o Muricy nos passou nada. Mas, se houver, o tratamento será o mesmo de outras vezes, rescisão de contrato."

E uma possível rescisão com Washington? Ele disse que não está nos planos do time. E elogiou o atacante. "O Washington é um jogador exemplar. E não tenho nenhum registro de que ele tenha tentado ir embora após ser substituído no jogo contra o Cruzeiro."

sábado, 20 de junho de 2009

O Efeito Muricy

Muricy Ramalho foi demitido ontem do São Paulo.

Após 3 anos e meio e um tricampeonato brasileiro, eles está, como dizem os americanos, "back in the game".

O Internacional o adora. A atual cúpula colorada não faz questão de mencionar sua estima por Muricy.

O clima no Palmeiras não é dos melhores. O site Fora Luxa, criado ontem, fez imenso sucesso.

O Fluminense tem dinheiro para contratá-lo.

O Flamengo sonha em domar Adriano. Muricy já o domou.

Técnicos, tremei. Muricy está no mercado.

Muricy se foi. Chega Ricardo Gomes

Ao final da partida contra o Cruzeiro, os torcedores chegaram a gritar o nome de Muricy Ramalho, que não bateu com a mão direita freneticamente no braço esquerdo, uma de suas marcas registradas, demonstrando que ali corria sangue e que raça, vontade e gana não faltavam nem a ele, nem ao time.

Quando chegou para a entrevista coletiva após a eliminação contra o Cruzeiro cabisbaixo, sem a "energia" que lhe é costumeira, foi o sinal de que as coisas seriam diferentes neste ano.

Após perder a Libertadores pela quarta vez consecutiva para times brasileiros, o São Paulo resolveu não mais "prestigiá-lo" e o demitiu. Demitiu o técnico que conseguiu 64% de aproveitamento enquanto comandou o time. Demitiu o técnico que conseguiu, até agora, ser tricampeão (legítimo, três vezes seguidas) de algum campeonato. Demitiu o técnico que fez o time ressurgir das cinzas para o título brasileiro nos dois últimos anos, quando ninguém, nem diretoria, nem torcedores, acreditavam mais nisso. Demitiu o técnico que tem fortes ligações com o São Paulo, é sócio desde a tenra idade, e começou a jogar no time com 9 anos.

Só que também tem o outro lado. Com Muricy, o São Paulo passou por maus momentos naquela que é a principal competição para a sua coletividade, como gosta de dizer o assessor da presidência do clube, João Paulo de Jesus Lopes.

O time, que não perdia em seu estádio havia 19 anos, caiu com Muricy. Em 2006, foi derrotado pelo Chivas por 2 x 1 na primeira fase. No mesmo ano, foi derrotado na final pelo Internacional - o São Paulo, até então, nunca havia perdido um mata-mata para outro time brasileiro.

No ano seguinte, péssima campanha na primeira fase e eliminação diante do Grêmio. O time, sempre que passava para a segunda fase, sempre chegava, no mínimo, à semifinal. Caiu nas oitavas.

Em 2007, com Adriano comandando o ataque, as esperanças se renovaram. O time mudou seu esquema, passou a depender do atacante e foi eliminado pelo Fluminense, no Maracanã, nas quartas, após perder excelente oportunidade de garantir a classificação no primeiro jogo.

Este seria o ano para, pelo menos, apresentar um bom futebol. O time trouxe jogadores leves, ágeis, com características para fazer a bola chegar com mais qualidade ao ataque.

Mas em nenhum momento isso passou perto do Morumbi. Que pese também as inúmeras contusões e desfalques, todos ao mesmo tempo, no fim da primeira fase da Libertadores.

Agora a diretoria opta por uma mudança, que parecia ser necessária mesmo. A única lembrança que a maioria das pessoas terá sobre o Ricardo Gomes foi o fiasco no pré-olímpico de 2003, quando a seleção, treinada por ele, e que tinha Robinho, Diego, Elano e Dagoberto, foi eliminada pelo Paraguai. Ele também foi vice-campeão francês com o Bordeaux na temporada 2005/2006. Na última temporada, treinando o Monaco, ficou em 11º lugar.

Desta história toda, só uma coisa incomoda, e muito, esse blogueiro: a velocidade na contratação do novo técnico.

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Manchester ruma ao encontro da Tríplice Coroa. De novo

Depois de ver o Campeonato Inglês ser monopolizado por Liverpool e Chelsea, e de ter vencido o Mundial de Clubes, o Manchester se ajeitou e partiu para alcançar os mesmos feitos do ano passado.

Na Premier League, não só já deixou Liverpool e Chelsea para trás, como abriu 7 pontos de diferença para o vice-líder Liverpool.

Hoje, pela Champions League, foi à Milão e, se o empate não foi o melhor que se poderia ter, a atuação do time, em especial no primeiro tempo, leva a crer que dificilmente os Red Devils ficarão de fora da semifinal da competição.

Cristiano Ronaldo, mesmo bem marcado, foi o destaque. Se não pelos dribles e jogadas de efeito, por causa de seus arremates nas cobranças de falta e, em pelo menos duas oprtunidades, em cabeçadas muito bem dadas - a primeira, logo aos 2 minutos de jogo, foi bem defendida por Júlio Cesar, a segunda saiu por pouco.

Não é demérito algum ser dominado por um time que é o atual campeão da Champions e Mundial. Não fosse a Inter um time que sonha em conquistar um título que não vem desde o fim da década de 60.

O Manchester não atuou como joga em casa. Fosse assim, o primeiro tempo acabaria com uma boa vantagem em favor dos "vermelhos". Tirando as duas cabeçadas de Crsitiano Ronaldo, ele ainda levou perigo em duas cobranças de falta - uma acetou a trave - e Giggs perdeu um gol que não se pode perder.

No segundo tempo, as duas equipes foram mais cautelosas, e o jogo foi equilibrado.

O melhor em campo: Júlio Cesar, sem sombra de dúvida. Se Van der Sar está invicto a mais de 1.400 minutos, Júlio, mostrou que, com mais colaboração da defesa, também pode alcançar a marca. Ele é hoje, com toda a certeza, um dos melhores do mundo.

Curiosidade: Em 2004, o Porto, comandado por José Mourinho, eliminou o Manchester em Old Trafford com um gol de falta de Costinha aos 45 do segundo tempo. A diferença é que o Porto havia vencido o primeiro jogo em Portugal por 2 a 1. O empate por 1 a 1 sacramentou a classificação dos portugueses rumo ao seu segundo título da Champions.

sábado, 13 de setembro de 2008

Coração Valente

Não sei quantas pessoas lêem o blog. Mas para os poucos que o fazem, peço desculpas pela longa ausência.

Um misto de muito trabalho e pouco tempo.

Para reparar um pouco essa ausência, coloco uma matéria exclusiva para o blog. Minha, é claro.

Coração valente

Jogadores têm coração maior e mais pesado para agüentar o tranco que o futebol exige.

Foi na metade do século XX que estudos mostraram que os atletas em geral têm coração maior e mais pesado do que os não-atletas. Esse fato indica que o aparelho cardiovascular dos atletas se adapta mais facilmente ao esforço provocado pela a intensidade dos jogos de futebol. Por isso o preparo e o condicionamento físico são tão importantes hoje em dia. Um jogador corria, há 20 anos, cinco quilômetros por jogo. Hoje são 12 quilômetros em média.

Esse novo esforço tem trazido conseqüências graves. Ninguém se esquece de Serginho, que teve uma parada cardiorespiratória quando defendia o São Caetano, em 2004, em um jogo contra o São Paulo, no Morumbi, e veio a falecer por uma cardiopatia grave. “Por isso os exames prévios são importantes”, diz o médico Nabil Ghorayeb, coordenador do Sport Check-Up, do Hospital do Coração de São Paulo. É lá que alguns dos grandes times da capital paulista realizam seus exames de prevenção. Com a experiência de atuar no ramo por mais de 30 anos, Nabil garante que hoje as arritmias cardíacas são em maior número quando comparadas aos casos de 20 anos atrás. O aumento é de aproximadamente 10%. Segundo ele, esse aumento foi causado por uma mudança de perfil dos atletas. Os de antigamente, por exemplo, se cuidavam mais no quesito alimentação, eram mais regrados. Os de hoje adoram comidas gordurosas (sanduíches, churrasco, frituras), aumentado assim os níveis de colesterol. Somem-se a isso os altos níveis de álcool, o consumo de bebidas energéticas - que são moda em qualquer balada hoje em dia -, a intensificação dos exercícios físicos, e o estrago está feito. O excesso de treinamento praticado nos dias de hoje está minando a imunidade dos jogadores e, por isso, algumas viroses atingem o coração provocando miocardites, doenças do músculo cardíaco do coração. Um atleta que treina com uma simples gripe pode sobrecarregar seu coração a ponto de ele apresentar uma arritmia que o tire de combate por um bom tempo. Isso se não for para sempre.

Um estudo do COI (Comitê Olímpico Internacional) mostrou que entre 1966 e 2004 houve 1101 mortes em atletas com menos de 35 anos. Dessas mortes, 110 foram por infarto em atletas não-fumantes, mas com colesterol alto.
E a situação deve ficar pior. Os atletas que hoje são exigidos de forma hercúlea, vão sofrer mesmo é na hora da aposentadoria. O problema está na provável manutenção dos hábitos alimentares atuais sem a prática diária de exercícios. A tendência então é que eles ganhem peso, sobrecarregando ainda mais o coração. Aí entra em cena um novo marcador implacável: a pressão alta. Uma vez que a pressão alta aparece, ela geralmente dura a vida toda. A boa notícia é que ela pode ser controlada. O grande Dudu, ex-jogador do Palmeiras, que formava o meio de campo da “academia” com Ademir da Guia, descobriu, depois de ter parado, que sofria de pressão alta. Hoje com 68 anos ele controla o marcador implacável que não o deixa mais. “Procuro caminhar sempre que posso e ainda bato uma bolinha, mas é raro”, diz o ídolo palmeirense. Nos tempos de jogador, Dudu oscilava seu peso entre os 60 e 63 quilos. Hoje em dia seu peso varia de 70 a 72. “Sempre houve muito churrasco, muita bebida. A questão é que o jogador tem que se preocupar, tem que ter juízo, saber comer, saber beber. Os jogadores têm muita facilidade, são muitos convites para ir a festas, a churrascos. E, se não se cuidar, abusa mesmo. Aí daqui a pouco está com 80, 90 quilos e já não tem volta.”

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Morales não vem mais

A assessoria de imprensa do Flamengo acaba de divulgar nota oficial dizendo que o atacante uruguaio Richard Morales, que continua no Nacional de Montevidéu. O motivo: a família do atacante, depois de ver a manifestações dos torcedores rubro-negros na Gávea, ontem, não o deixou concluir o negócio.

Abaixo a nota oficial do clube.

Em razão da veiculação pela internet das imagens ocorridas no lamentável episódio ontem na Gávea, a familia do jogador Morales impediu sua transferência para o Flamengo.
O jogador já havia acertado suas bases salariais, sua passagem havia sido emitida e sua hospedagem reservada.
O incalculável prejuizo institucional promovido por vândalos fez com que o clube perdesse importante reforço para nossa retomada no campeonato brasileiro.
Rio de Janeiro, 6 de agosto de 2008
Kleber Leite
Vice Presidente de Futebol

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Ronaldo no Japão?

O diário espanhol Sport, noticia na sua edição online desta sexta que o Kashima Antlers quer contar com o futebol do centroavente.

Segundo o jornal, o Kashima é, até agora, o único clube a fazer uma proposta oficial para contar com o futebol do atacante junto ao seu empresário, Fabiano Farah.

O jornal ainda diz que «os contatos começaram através de um brasileiro que trabalha no mercado japonês e que contactou o staff do atleta, para saber a possibilidade de Ronaldo encerrar a carreira no futebol do país». A resposta teria sido positiva e culminou com uma oferta formal ao jogador.

O Kashima, vislumbarndo a oportunidade de ter Ronaldo encerrando a carreira lá, teria oferecido um contrato vitalício para ele, com ganhos anuais de nove milhões de dólares. E Ronaldo ficaria livre para encerrar a carreira quando quiser. Depois de parar, ele seria embaixador do clube ao redor do mundo.

O Kashima Antlers é treinado por Oswaldo de Oliveira e conta com os brsileiros Danilo (ex-São Paulo) e Marquinhos no seu elenco.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Maradona bate pesado em Messi

«Acho que falta um pouco de caráter ao Messi.»

Essa foi a tônica da entrevista concedida pelo Pibe nesta sexta. Ele disse que «se estivesse no lugar dele (Messi), eu estaria treinando com a seleção que vai aos jogos olímpicos, em Pequim.»

Isso porque Messi está na Escócia, onde o Barcelona goleou o Hibernian na quinta por 6 a 0 e joga neste sábado com o Dundee United.

Abaixo, a matéria do jornal espanhol Marca.

Maradona: "A Messi le falta un poco de carácter"

"Creo que a Messi le falta un poco de carácter", dijo Diego Maradona, quien afirmó que si ocupara el lugar del futbolista del Barcelona "estaría con la selección" argentina que participará en los Juegos de Pekín. El Barça se resiste a ceder a Messi a la selección olímpica albiceleste, por lo cual el Comité de Estatuto de Jugadores de la FIFA tomará una decisión el próximo martes en Zúrich.

"No quiero caer en las comparaciones que suelen hacer los periodistas porque cada uno tiene su forma de ser. Pero lo que digo es que Messi tiene que decidir por él mismo. Es un momento para hacerse más hombre. Es una gran oportunidad para crecer", afirmó Maradona la noche del jueves a la prensa de la ciudad de Rosario. "Igual, el Barcelona lo va a esperar. Por eso le dieron la camiseta número 10, porque lo quieren. Si se la dieron, no fue porque Messi es un actor de cine, sino porque es un fenómeno, un gran jugador. La camiseta 10 era de Ronaldinho y ahora se la dieron a él", añadió.

"Yo me hubiera quedado acá con la selección, entrenándome y que me esperen en Barcelona. Pero son otros tiempos, otros compromisos, otros contratos. En su momento, si yo me llegaba a ir de Barcelona a Milán, como pasó con Ronaldinho, ardía todo", comentó el ex futbolista. "Creo que a Messi le falta un poco más de carácter. Ojalá, le ruego a Dios, que lo gane a través de su fútbol. Ojalá que cambie el temperamento porque no lo veo a Leo como para ir a luchar por los premios, como para decirle al compañero algo o motivarlo y pedirle: «Dámela a mí», comentó "Pelusa".

No ve a Messi como un líder

"No lo veo todavía. Ojalá, con el tiempo, se vaya haciendo más jugador de fútbol, más jugador de toda la cancha y más líder. Ojalá en dos o tres años tengamos que decir que Leo es líder", agregó al insistir en que Messi debería alzar la voz, fijar su posición e ir a los Juegos. Al referirse a la selección olímpica argentina, Maradona dijo que días pasados visitó al seleccionador Sergio Batista en el campo deportivo de la AFA. "Allí tengo las puertas abiertas, según dice Julio Grondona, que nunca me da las llaves", bromeó.

"Me dejaron pasar en la puerta porque creo que me conocen. El 'Checho' (Batista) tiene un gran grupo de chicos, que tendrán que hacerse hombres en la cancha", señaló. "Tiene grandes jugadores. Tiene un comandante como (Juan Román) Riquelme y arriba (Ezequiel) Lavezzi, el 'Kun' Agüero y Messi te matan. Por un lado, deben tener la pelota y poner mucho énfasis en el retroceso. Divertirse cuando tienen el balón y cuando no, volver rápido y pasar la línea de la pelota. Tiene un equipo de primer nivel para aspirar a lo mejor", comentó.

En cuanto a las presuntas diferencias entre Riquelme y Messi, dijo: "Me preocupé por lo que se habló de eso. Le pregunté a Batista cómo estaban a nivel de grupo y me dijo que no pasa nada". "Después hablé con Román y no creo que exista el problema. Antes se resolvía entre cuatro paredes, y el que salía bien, bien, y el que salía mal, mal. En la selección no se juega a ver quién es mejor persona, sino a ver quién es mejor jugador", afirmó. "Eso el 'Checho' Batista lo entiende bien. Y si no, viajo yo a Pekín", concluyó.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

C'est la vie

Hoje pela manhã, assistindo ao ótimo Pontapé Inicial, na ESPN Brasil, tive uma daquelas surpresas que chamamos de «extremamente desagradáveis»: o falecimento de um amigo e companheiro do jornalismo esportivo, Luiz Fernando Bindi.

Relutei muito em vir aqu escrever esse post. Muitas pessoas já escreveram homenageando-o. Muito mais amigas dele do que eu. Gente como o Vitor Birner, Mauro Beting, Marcelo Duarte, o pessoal da Trivela, todos links que você pode encontrar aí ao lado.

Mas o Bindi merece que eu venha até aqui para falar dele.

Conheci seu trabalho em 2006, quando o Loucos por Futebol fez uma matéria com ele. Ele mostrava sua grandiosa coleção de distintivos de futebol. Gigante, talvez seja um termo mais adequado. E contava histórias sobre os escudinhos, histórias como o porque tal país usar uniforme de tal cor, ou porque tal clube tem aquele escudo. Fiquei interessado em levá-lo para a rádio - na época, a Tupi AM - afinal, era ano de copa, poderíamos fazer uma matéria falando dos 32 países classificados. A matéria não rolou, mas ficamos amigos. Comecei a escrever colunas para o seu site, o Distintivos.com.br.

Naquele mesmo ano o conheci pessoalmente. Conversamos bastante e ele me falou da sua ojeriza aos comentários do João Carlos Assumpção. Eu, para falar a verdade, nunca havia prestado atenção, mas depois de alertado pelo Bindi, tive a certeza de que o Janca não serve para ser comentarista - mas é um excelente repórter!

Continuamos a encontrarmo-nos de vez em nunca. A última vez, se não falha a memória, foi no seminário de jornalismo esportivo do Comunique-se, no fim do ano passado.

Um jovem de 35 anos, vitimado por uma parada cardíaca. Que descanse em paz.

Abaixo, um vídeo no qual o Bindi é entrevistado pelo Marcelo Duarte, para o programa Guia dos Curiosos, do IG.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Fomos campeões?

Esse é o título do livro do jornalista argentino Ricardo Gotta. Em xeque a conquista argentina do Mundial de 78.

Na matéria para o diário argentino Olé, ele esclarece alguns pontos da partida que, para muitos, decidiu o mundial, o 6 x 0 da Argentina sobre o Peru, inclusive uma visita do General Videla, presidente argentino e do secretário de estado dos Estados Unidos, Henry Kissinger, ao vestiário peruano momentos antes do jogo. Veja a seguir:

¿Fuimos campeones?

El periodista Ricardo Gotta escribió un impactante libro sobre la noche en que Argentina goleó a Perú y de ese modo se clasificó para la final del Mundial 78. De la visita de Kissinger y Videla al vestuario visitante a la "llamativa" bomba que explotó en la casa del por entonces funcionario Juan Alemann, justo cuando llegó el cuarto gol en Rosario. Alta tensión, de arco a arco.

Fuimos Campeones, reza el título del libro que en los últimos meses sacudió la modorra de los futboleros. Pero, ¿fuimos campeones, realmente? El periodista Ricardo Gotta, en una minuciosa investigación, puso blanco sobre negro sobre un tema urticante: la legitimidad de Argentina como campeón del mundo en 1978, en medio de las atrocidades de la dictadura militar que gobernaba el país por aquellos tiempos.


El "partido envuelto por el misterio", aquella polémica goleada ante Perú en Rosario, fue el disparador que usó Gotta para reconstruir una historia plagada de misterio, de dudas, de contradicciones, de verdades, de mentiras, de fantasía, de realidades, de polémica, de reacciones. De todo, en definitiva. Ya más relajado, después de la presentación, el autor para la pelota y reflexiona acerca de este "otro hijo" que trajo al mundo: "Yo en ese momento, julio del 78, recién empezaba a dar mis primeros pasos como periodista deportivo. Trabaja en el diario La Prensa y en mi cabeza, como en la de tantos argentinos, había más que nada una euforia deportiva, más allá de lo que pasaba puertas afuera del Monumental o de cualquiera de los estadios sedes del Mundial. No nos olvidemos que a metros del estadio de River, donde se jugó el partido inaugural, la final y tantos otros, funcionaba el centro clandestino de la ESMA. Eso es muy fuerte. Los grupos de tareas seguían secuestrando y desde los aviones tiraban personas al mar... Mientras tanto, muchos de nosotros estábamos pendiente de lo que pasaba adentro de la cancha."


Hubo, recuerda Gotta, momentos tensos en los tres años que le llevó preparar este libro que publica la editorial catalana Edhasa. Uno, sin dudas, fue cuando entrevistó en un coqueto hotel de Puerto Madero a un ex integrante de aquel seleccionado peruano. Copa va, copa viene, el hombre dejó testimonios impactantes, en una madruga repleta de confesiones.


"Hay un momento del libro que genera escalofríos, incluso a mí que podría tener una actitud distante a partir del tiempo que me llevó estudiar el tema. Fue cuando Videla y Kissinger visitaron el vestuario de Perú, antes de comenzar el encuentro. Ninguno de los dos era precisamente un símbolo de paz. Uno presidente de facto de la Argentina y el otro secretario de Estados de los Estados Unidos. La presencia de ellos era toda una imagen de intimidación... Ese día, cuando el seleccionado de Menotti logra el cuarto gol que le aseguraba el pase a la final, explota una bomba en la casa de Juan Alemann, funcionario de la dictadura y abierto opositor a que jugara el Mundial."

O link da notícia no site do Olé e conta com um vídeo com uma entrevista do autor do livro. http://www.ole.clarin.com/notas/2008/07/17/seleccion/01717078.html

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Vergonha

Às 16:30 de hoje, o Terra Magazine, colocou no ar uma matéria do excelente Bob Fernandes esmiuçando a segunda prisão de Daniel Dantas. O título: «Eu vou contar tudo! Vou detonar!» E o texto que segue: «Vou contar tudo sobre todos. Como paguei um milhão e meio para não ser preso pela Polícia Federal em 2004 (...), tudo sobre minhas relações com a política, com os partidos, com os políticos, com os candidatos, com o Congresso... tudo sobre minhas relações com a Justiça, sobre como corrompi juízes, desembargadores, sobre quem foi comprado na imprensa...»

Ou seja, Dantas estava disposto e prestes a «jogar merda no ventilador» em todas as instituições brasileiras.

Para a surpresa (e indignação) de todos, pouco menos de duas horas depois dessas declarações devastadoras, o ministro do Superior Tribunal, Gilmar Mendes, concedeu a Dantas novo Habeas Corpus.

Ele será solto!

Será uma simples coincindência a liberdade concedida para Dantas depois das ameaças públicas que ele fez?

Duvido.

Para ler tudo sobre o assunto, o melhor a fazer é ir ao Terra Magazine. Lá, quem é jornalista, terá uma aula de como fazer uma matéria. Bob Fernandes ensina, com riqueza de detalhes e apuração perfeita, que há, sim, salvação para a imprensa brasileira. Quem não é jornalista, encontrará a melhor fonte de informação sobre o caso. Perfeita cobertura.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Big Phil

Aqui um ótimo perfil do técnico Luis Felipe Scolari na Carta Capital. Ajuda a entender um pouco mais o técnico campeão por onde passou (menos em Portugal).

Por Phydia de Athayde
“Guri, faça o teu trabalho tranqüilo.” Com essas palavras, o treinador Luiz Felipe Scolari se apresentou ao preparador de goleiros do Palmeiras, Carlos Pracidelli. O mesmo que xinga, grita e é capaz de partir para a briga quando está na beirada do gramado, sabe como poucos exercer a humildade, a lealdade e manter uma equipe unida.

A partir de 1º de julho, o brasileiro assume o comando do Chelsea, time do milionário russo Roman Abramovich. Chega à Inglaterra depois de comandar a seleção de Portugal por cinco anos e meio. No período, o time português ficou entre os quatro melhores no Mundial de 2006 e a torcida resgatou um orgulho adormecido. Scolari era o quarto de uma lista de técnicos sondados pelo Chelsea e tratou de aceitar a proposta, estimada em 6,25 milhões de libras anuais por três anos, para confirmar que é o treinador brasileiro mais valorizado do mundo. Qual o segredo desse sucesso? Não há. Ou melhor, não é segredo algum.

O homem é muito simples, muito exigente, muito trabalhador. Também é um tanto rude, um tanto teimoso e outro tanto explosivo. Mas já mostrou ter bom coração e, coisa rara no futebol, é desprovido de ego. Aos 59 anos, Scolari carrega quatro décadas de experiência no futebol. Nesse tempo, aperfeiçoou-se a ponto de, por exemplo, aprender a ouvir opiniões diferentes da sua. Mas não mudou o essencial. “Ele sempre teve liderança. Como zagueiro, era o capitão e o xerifão do time”, diz o radialista esportivo Costa Cabral, que viu Scolari chegar ao Centro Sportivo Alagoano (CSA) para ser campeão estadual em 1981. “Ele não tinha técnica, ia para onde o nariz apontava. Mas tinha o time nas mãos.”

Quem treinava os alagoanos era Walmir Louruz, gaúcho como Scolari e amigo desde a juventude. “Ele não gosta muito de receber conselhos, mas, se é dito no momento certo, acaba ouvindo”, diz. Louruz sugeriu e providenciou que Scolari se tornasse treinador de futebol e, em 1982, estreasse no CSA. A experiência foi difícil, durou apenas dois meses. O novato pegou um “plantel de cobras-criadas”, na avaliação de Cabral, que acompanhava o time: “Por incrível que pareça, o Luiz Felipe, que é durão, foi tirado da equipe porque ainda não tinha esse impulso”. Mas deixou amigos no CSA.

Em 2005, o time estava na Segunda Divisão do alagoano. De passagem pelo estado para gravar um comercial e comprar um terreno na praia de Barra Nova, o ex-técnico fez uma preleção de luxo para os jogadores. Falou que o CSA é grande, que ele próprio já tinha vestido aquela camisa e, ao finalizar, pediu que os atletas dessem “sangue, suor e lágrimas” em campo. Não foi uma tirada imaginosa, mas o time ganhou por 1 a 0.

Sangue, suor, lágrimas e pancada. A fama de técnico que manda bater, e de retranqueiro, faz parte do currículo de Scolari. “Jogador meu tem de ir na bola como se fosse o último prato de comida”, costuma dizer. Ele não é treinador de receber elogios dos fãs do chamado futebol arte. “Jogando feio e ganhando, tudo fica lindo”, ironiza. Seja como for, o futebol de resultados o levou à seleção brasileira (que se encontrava em estado de calamidade em 2001) e rendeu o pentacampeonato ao Brasil, na Copa de 2002. Era o 16º título em 26 finais disputadas pelo técnico.

Scolari é especialista em mata-matas. Gosta de jogar sob pressão e sabe, como poucos, despertar os jogadores. Em 1999, antes de um jogo contra o Corinthians pela Libertadores, vazou para a imprensa o áudio do técnico palmeirense. Felipão mandava chegar junto, “quebrar, chutar, cuspir”. O Palmeiras, mesmo com menos time, superou o rival.

Entre o acanhado treinador do CSA e o vitorioso que chega ao Chelsea, o caminho foi longo e trabalhoso. Entre outros times, ele treinou o Al Shabab da Arábia Saudita e os gaúchos Brasil de Pelotas, Juventude e Pelotas. Em 1987, chegou ao Grêmio pela primeira vez e foi campeão gaúcho. Voltaria ao clube em 1993. Antes, treinou o Goiás (GO), o Al Qadsia (do Kuwait) e a seleção daquele país. Em 1991, foi campeão da Copa do Brasil com o Criciúma (SC) e, no ano seguinte, retornou ao Oriente Médio. A segunda passagem pelo tricolor gaúcho rendeu títulos como a Copa do Brasil (em 1994) e o Campeonato Brasileiro (1996), além da Copa Libertadores da América, em 1995. Em seguida, perdeu a final do Mundial Interclubes, disputada em Tóquio, para o Ajax da Holanda. Em 1999, com o Palmeiras campeão da Libertadores, o Mundial escapou na derrota para o Manchester.

Por onde passou, Scolari deixou boas histórias. Antonio Carlos Verardi, supervisor de futebol cuja história se confunde com a do Grêmio, lembra de quando ele era apenas o zagueiro, “grosso, muito grosso”, do Flamengo de Caxias. O ano era 1977. Em um amistoso contra o Grêmio treinado por Telê Santana, desentendeu-se com um adversário, o zagueiro Oberdan Vilain. “A bola furou a rede pelo lado de fora e o juiz validou o gol. Ele armou um sururu, queria chegar às vias de fato com o Oberdan, era muito voluntarioso”, conta Verardi, entre risos. “Eu me perguntava: ‘esse camarada não se contém?’”

Anos depois, o já técnico Felipão trazia o espírito brigador para o Grêmio. Verardi confirma que, no dia-a-dia, ele é o próprio “sargentão”. E destaca que a maior qualidade do treinador é ter controle total do grupo. Scolari é um obstinado e, com o mesmo ímpeto que se doa, exige entrega incondicional dos comandados. O Grêmio de Scolari ficou marcado como um time violento, como ocorreria com o Palmeiras (onde chegou em 1997, após deixar o Rio Grande do Sul para treinar o Jubilo Iwata, no Japão). O fã Verardi relativiza a violência em campo: “Futebol é um esporte de contato. Interromper um lance pode enfear o espetáculo, mas é buscar a vitória”.

O gremista relata outro episódio, ocorrido durante uma excursão à Europa. Sob o comando de Scolari, o time enfrentava o Estrela Vermelha, da Romênia, e um jogador em especial estava comendo a bola. Ao lado do campo, apontando para o sujeito, o treinador gritou alto e claro para um dos seus: “Vais deixar este filho da p... jogar?” O problema é que o romeno compreendeu. Se não integralmente, por certo a parte que lhe dizia respeito. Veio pra cima de Felipão, Felipão pra cima dele. Outra enorme confusão. Daquela vez, o Grêmio perdeu.

O estilo agressivo deixou hematomas históricos na trajetória de Scolari. Em 1995, durante um confronto entre Grêmio e Palmeiras, o técnico por pouco não partiu para o corpo-a-corpo com Vanderlei Luxemburgo, então treinador do clube paulista. Em 1997, com o Palmeiras, devolveu uma bola que saiu pela lateral jogando-a na cara do jogador do Vasco, Válber. No ano seguinte, ainda no Palmeiras, em uma coletiva após um treino do time, o técnico se estranhou com o jornalista Gilvan Ribeiro. Trocaram provocações e o repórter recebeu um soco no queixo.

Resolver desavenças na base do punho fechado é um instinto que Felipão ainda não aprendeu a controlar. Em setembro do ano passado, no encerramento de uma tensa partida entre a seleção de Portugal e a da Sérvia pelas Eliminatórias da Eurocopa, Scolari tentou esmurrar o jogador sérvio Dragutinovic. Por sorte não acertou, mas as câmeras e toda a Europa flagraram a tentativa de agressão. Está no YouTube.

“Desculpem, não sou infalível. Foi um reflexo após várias provocações, e eu quis proteger meus jogadores”, justificou-se após a ocorrência. O assessor de imprensa do treinador, Acaz Fellegger, ajudou a preparar uma estratégia de mídia para minimizar as conseqüências do destempero. Além do pedido de desculpas, aceitas pelo sérvio, o treinador participou de um respeitado talk show na tevê portuguesa, ocasião em que pôde explicar o enredo completo das provocações que culminaram no soco fora do alvo. A tese da defesa, que é a mais crua verdade, baseou-se na palavra-chave dos relacionamentos pessoais e profissionais de Felipão: lealdade.

“Ele morre por você.” Fellegger diz algo que poderia ser repetido por qualquer um que tenha sido comandado por Scolari. E a lealdade tem um preço: “Se você errar com ele, esqueça. Não uma falha humana, mas proposital. Acabou”. O assessor é um confesso admirador do técnico e guarda na lembrança o momento em que ele disse que o apoiaria no clube (então, o Palmeiras), mas que ele deveria fazer o mesmo. “Foi dito e feito”, conta Fellegger. Assim que o contrato com o clube paulista terminou, foi convidado a trabalhar diretamente com o treinador. E lá se vão oito anos.

Com a mesma intensidade que cobra e exige, Scolari zela pelos seus. No vestiário, é o tipo de treinador que se preocupa com os problemas pessoais de cada jogador. Sabe os nomes de cor e sempre pergunta como andam os filhos, a esposa, a família. “Ele tem um coração enorme, é muito sensível”, diz Verardi, e faz uma análise da relação entre os boleiros: “O principal adversário do jogador de futebol é o reserva da posição. É muito difícil administrar o emocional do vestiário, e o Scolari sabe como ninguém manter o espírito do grupo unido”.

Pracidelli tem 14 anos de Palmeiras. Nesse período, viu uma infinidade de técnicos entrarem e saírem do clube. Nenhum se parece com Scolari. Profissionalmente, diz, é exigente e detalhista acima da média. “Pessoalmente, ele é um pai. Chama a sua atenção, mas te pega no colo, te protege para toda a vida”, diz o preparador de goleiros, que acaba de ser anunciado como primeiro reforço no Chelsea de Felipão. O treinador já o havia chamado para integrar a equipe técnica da seleção brasileira na Copa de 2002 e agora repete o convite. Como na vez anterior, Pracidelli foi surpreendido por um telefonema de Felipão, a quem chama de “Seu Luiz”. Sensibilizado e feliz pelo reconhecimento, aceitou sem pestanejar.

Se a relação do treinador com os dirigentes é mais distante (“Eles cuidam do que é deles, do campo cuido eu”), o calor humano de Scolari extrapola fácil o vestiário para se estender ao porteiro, à copeira, aos funcionários que aparam o gramado. Pracidelli traduz: “Todos se sentem importantes. Ele faz a sua dor ser a dor dele. Não dá para não aceitar esse pacto. Quando acontece uma derrota, ele chora junto com os jogadores, mas é o primeiro a abraçar todo mundo e levantar o moral da equipe”.

Bom gaúcho, Scolari adora um churrasco. Nas confraternizações entre jogadores e equipe técnica, é sempre um dos que mais participam. Fica na churrasqueira, faz questão de salgar a carne, toma lá uma cervejinha, uma caipirinha e é um ótimo contador de piadas. Enquanto viveu em Portugal, durante as visitas ao Brasil, não era raro aproveitar a escala em São Paulo e telefonar, do aeroporto, para Pracidelli. “Junta a rapaziada!”, era a senha para mais um almoço na churrascaria Fogo de Chão, próxima ao centro de treinamento do clube.

Além de Pracidelli, Felipão tem uma legião de amigos e parceiros a quem é muito fiel. E todos respondem com a mesma lealdade. Entre eles, o inseparável auxiliar técnico Flávio Murtosa, o preparador físico Paulo Paixão, o ex-dirigente do Grêmio Luiz Carlos Silveira Martins e o autor de sua biografia, Ruy Carlos Ostermann. Há, ainda, o presidente do Clube dos Treze, Fábio Koff, que, assim como Ricardo Teixeira na CBF, está no cargo há décadas após sucessivas e protocolares reeleições.

Em política, fica entre a ingenuidade e o desinteresse. Durante entrevista a uma rádio, em 1998, Scolari não escondeu a simpatia pelo ex-ditador chileno Augusto Pinochet, que, conforme disse, “fez coisa boa também. Ajeitou muitas coisas lá (no Chile)”. Nunca declarou preferência partidária. “Não tenho partido. Não quero saber dessa história de direita e esquerda. Costumo votar nos meus amigos.” Pano rápido.

Scolari é um profundo respeitador da hierarquia interna nos clubes, mas não recebe bem críticas vindas de fora. Em 2000, após uma derrota do Palmeiras para o Cruzeiro, o palmeirense e então ministro da Saúde José Serra o chamou de “retranqueiro”. A resposta foi curta e grossa: “Boa é a situação da saúde no Brasil. Minha sorte é que eu tenho um bom plano”.

Em 2002, não deu para Romário. Felipão, que cumprira a missão de classificar a seleção brasileira para o Mundial daquele ano, foi pressionado por Ricardo Teixeira para que convocasse o genioso craque. Teixeira, a quem Scolari se referia como “doutor Ricardo”, ouviu um sonoro não. Ou melhor, um: “Tudo bem. Ele entra, eu saio”. O cartola preferiu manter o técnico e Romário ficou fora da Copa do Japão-Coréia. Os escolhidos pelo treinador rapidamente entraram no esquema “sangue, suor e lágrimas” e receberam a alcunha de “Família Scolari”. Na Ásia, como se viu, a disciplinada família venceu todos os sete jogos.

De volta ao Brasil, o devoto Scolari pagou uma promessa à Nossa Senhora de Caravaggio e percorreu, a pé, os 18 quilômetros que separam Caxias do Sul do santuário de Farroupilha. Como em outras ocasiões, escalou o velho companheiro Louruz, que também é devoto, para acompanhá-lo. “Eu mesmo não prometo caminhadas, mas já o acompanhei duas ou três vezes. Sempre que ele faz promessa, me chama”, conta o amigo, para quem Felipão, apesar de todas as conquistas, não mudou nada. Nem com o sucesso na seleção brasileira, nem com o trabalho na de Portugal, nem mudará ao assumir o milionário Chelsea. “Mudou a vida dele, mas ele continua o mesmo cara, chato e ranzinza”, diz. Como o amigo, sem meias palavras.

Entre o afago e o safanão, sempre sem cerimônia, Scolari segue fazendo história. Nesses anos todos, sempre preservou a família do assédio da imprensa. É casado com Olga e pai de dois filhos, Fabrício e Leonardo, de 16 e 25 anos. A família prepara-se para viver os próximos três anos na Inglaterra e depois, quem sabe, retornar a Canoas, a 14 quilômetros de Porto Alegre. Mas Felipão não considera o Chelsea o último desafio da carreira. No horizonte não tão distante está a Copa de 2014, a ser realizada no Brasil. Não deixa de ser uma tentação e um sonho para o especialista em mata-matas. E em emoção.